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Mulheres da Comunidade Ilha Michiles Criam Rede de Apoio Após Roda de Conversa do Projeto Wepainung Sobre Violência Doméstica

Ação na T.I. Andirá-Marau reuniu mulheres em dois dias de encontros para debater os sinais de relacionamentos abusivos e as leis de proteção.

Nos últimos dias, a comunidade Ilha Michiles, localizada na Terra Indígena Andirá-Marau, em Maués (AM) foi palco de uma importante ação de conscientização e fortalecimento feminino promovida pelo Projeto Wepainung.

Durante os dias 6 e 7 de maio, 28 mulheres de diversas idades participaram de uma roda de conversa focada em um tema urgente e necessário: como identificar a violência doméstica e familiar contra as mulheres.

Com duração de até duas horas por sessão, os encontros foram desenhados para ser um espaço seguro de escuta, troca e respeito, garantindo o sigilo e o acolhimento de todas as participantes.

A atividade abordou a desconstrução da ideia de que a violência contra a mulher se resume apenas à agressão física, como bater ou ferir. Durante a facilitação, as participantes foram apresentadas aos preceitos da Lei Maria da Penha e aprenderam a identificar violações que muitas vezes ocorrem de forma silenciosa e estrutural.

O diálogo detalhou a violência psicológica, caracterizada por humilhações, manipulações e isolamento de amigos e familiares; a violência moral, que envolve xingamentos e difamação; a violência sexual, relacionada a forçar relações sem consentimento; e a violência patrimonial, que se configura pelo controle do dinheiro ou destruição de bens da vítima.

Através de dinâmicas práticas, as mulheres debateram situações cotidianas para diferenciar o que é cuidado do que é controle. Perguntas como “Ciúmes é prova de amor ou sinal de alerta?” guiaram discussões profundas sobre atitudes abusivas, como a exigência de senhas de celular ou proibições de trabalho.

“Foram momentos marcados por descobertas, acolhimento, escuta e fortalecimento entre as participantes. Minha expectativa foi deixar uma sementinha plantada, que crescerá, se tornará uma muda e, futuramente, uma árvore de raízes fortes. Coloquei-me também à disposição para continuar orientando e apoiando, mesmo à distância.”

Noura Vieira, Assistente Social do Projeto Wepainung e facilitadora da atividade.

Fortalecimento e a Criação de uma Rede de Apoio

O principal resultado dos dois dias de encontro foi o despertar coletivo. Mais a par das leis de proteção e das medidas de segurança disponíveis, as 28 participantes decidiram dar um passo adiante: a criação de um grupo forte e estruturado de mulheres na comunidade.

O objetivo desse novo grupo é garantir que elas possam se proteger, se apoiar mutuamente e se fortalecer diante de qualquer ameaça, garantindo que nenhuma mulher na Ilha Michiles enfrente o ciclo da violência sozinha.

Onde Buscar Ajuda?

Durante o encontro, o Projeto reforçou os principais canais da rede de apoio para mulheres em situação de vulnerabilidade, que também servem de alerta para toda a sociedade:

  • Disque 180: Atendimento gratuito, sigiloso e disponível 24 horas para denúncias e orientações.
  • Delegacia da Mulher (DEAM): Para registro de ocorrências e solicitação de medidas protetivas.
  • CRAS / CREAS: Para assistência social, psicológica e jurídica especializada.

A ação do Projeto Wepainung na Ilha Michiles reafirma a mensagem final ecoada na roda de conversa: a violência nunca é culpa da vítima e nenhuma mulher merece viver com medo. Juntas, elas constroem um futuro de respeito e autonomia.

Sobre o projeto

A ação integra o Projeto Wepainung – Proteção e Sustentabilidade da Terra Indígena Andirá-Marau, realizada pela Associação Sementes da Amazônia com apoio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, valorizando o lazer infantil, a cultura e a inclusão social como caminhos para o fortalecimento comunitário.

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